Projeto Tipitamba: intensificando o manejo da capoeira com sustentabilidade

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Na maior parte da Amazônia brasileira, a agricultura familiar pratica principalmente o sistema de derruba e queima. Esta prática é questionada pelas perdas em nutrientes, emissões de gases nocivos à atmosfera, riscos de incêndios incontroláveis pelas queimadas e avanço do desmatamento. Este sistema de agricultura mantém níveis de sustentabilidade que decrescem na medida em que as queimadas se repetem e o tempo de pousio é reduzido. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental propõe substituição do método tradicional de derruba e queima, pelo sistema de corte e trituração. O preparo de área sem o uso do fogo associado ao enriquecimento de capoeira, para acelerar o acúmulo de biomassa e nutrientes, resgata a sustentabilidade econômica, social e ecológica da produção, aumentando a oferta de nutrientes em menor tempo. A tecnologia influencia favoravelmente as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, além do que a adoção permite também usufruir os serviços ambientais associados à presença da vegetação secundária em pousio (capoeira) que inclui melhoria no balanço e captura de carbono, transporte de água para a atmosfera e proteção à lixiviação, pela presença de uma verdadeira rede de segurança representada pelas raízes. A tecnologia é uma alternativa, econômica e ambientalmente sustentável para o sistema de produção da agricultura familiar na Amazônia com foco na eliminação do fogo e uso eficiente dos recursos naturais e insumos agrícolas. A geração da tecnologia foi iniciada em 1991, com os estudos no município de Igarapé-Açu. Atualmente a adoção da tecnologia se faz presente por cerca de 140 famílias de pequenos produtores rurais, distribuídos nas comunidades de Nova Olinda, São João, Novo Brasil, Aparecida e Rosário num total de 48 famílias, nos municípios de Igarapé-Açu e Marapanim (Pará), 34 famílias nos municípios de Mãe do Rio, Concórdia do Pará, Irituia e São Domingos do Capim, municípios que constituem o pólo Rio Capim, do Programa Proambiente e 30 famílias no município de Barcarena, com o apoio do programa social da Empresa Alumínio do Brasil S/A (ALBRAS) em parceria com a Prefeitura Municipal. Atualmente uma rede amazônica de tecnologia Tipitamba está formada em vários estados da Amazônia brasileira como os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão,Pará, Rondônia e Roraima, onde cerca de 30 famílias estão utilizando a tecnologia de sistema de produção agrícola de corte e trituração da capoeira em uma proposta de validação da tecnologia à realidade de outros estados da Amazônia. Aproveitando o ambiente participativo criado, as propriedades dos agricultores parceiro tem sido utilizadas como local para troca de experiência entre os agricultores, pesquisadores e estudantes (desde o nível básico até os de doutorado).

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