Projeto Emergencial de Conservação e Multiplicação da Agrobiodiversidade no Paraná

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Em 2015, no estado do Paraná, foram realizados 5 grandes eventos de sementes, em 2016 passamos a 11 eventos, em 2017 a 18 festas e feiras, em 2018 a 22, em 2019 a 25 eventos e, em 2020, seriam 30 eventos planejados, estendendo aos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com a crise sanitária que se instalou no país no início do ano, os planos mudaram. Todos os eventos e feiras foram adiados por tempo indeterminado e isso trouxe uma enorme preocupação à ReSA, pois o local de acesso direto a todas e todos os interessados em adquirir sementes crioulas de diversas espécies são principalmente nas festas e feiras de sementes, que envolvem, inevitavelmente, a reunião de centenas ou milhares de pessoas em um mesmo espaço. 
Essa preocupação nos levou a fazer uma reflexão e buscar alguma forma de garantir com que essas sementes circulassem no Paraná e estados vizinhos, através da troca e comercialização, para que em primeiro lugar as famílias possam circular as sementes da safra 2019/2020 e também viabilizar apoio emergencial às famílias guardiãs na comercialização das sementes que estão armazenadas e preparadas nas casas de sementes e nas propriedades rurais.
Neste contexto que vivenciamos e ainda sem ter uma alternativa mais célere, a proposta desse projeto vem a suprir a necessidade de quem precisa comercializar e gerar renda de complemento dentro da família. E, também, a suprir a necessidade de quem está do outro lado, buscando acessar sementes. Além disso, visa promover a conservação da agrobiodiversidade, com a multiplicação de variedades crioulas entre as famílias camponesas, de agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, evitando uma possível crise de abastecimento e promovendo a soberania e segurança alimentar. 
Importante destacar que as sementes crioulas são variáveis, heterogêneas, geneticamente diversas, resistentes e resilientes, o que as torna capazes de adaptação a condições adversas e desenvolvem as características necessárias à sobrevivência a essas condições por seleção natural e pelo trabalho das/os agricultoras/es. Deste modo, são as variedades que devem ser incentivadas para trazer soberania aos pequenos agricultores, encurtar cadeias produtivas e, sobretudo, enfrentar possíveis crises, sejam econômicas, sociais e ambientais.