TRIGO MOURISCO: PERSPECTIVAS DE UTILIZAÇÃO NA AGROPECUÁRIA

O trigo mourisco (Fagopyrum esculentum Moench) pertence à família Poligonaceae e se trata de uma das mais antigas culturas difundidas na Ásia, Europa e América do Norte. É um pseudo-cereal também conhecido como trigo sarraceno, com variadas aplicações e benefícios à saúde. Se trata de uma planta dicotiledônea sem correspondência com o trigo comum, que é monocotiledônea pertencente à família Poaceae. O presente trabalho objetivou pesquisar as propriedades biológicas do trigo mourisco com potencial utilização na sanidade animal e vegetal. Para tanto, foram pesquisados artigos científicos publicados preferencialmente nos últimos cinco anos, nas bases de dados Scielo, Google Acadêmico, Science Direct e Periódicos Capes. Foram utilizados os seguintes termos de indexação: buckwheat, tanin plants, forage, green manure e anthelmintic activity. A planta em estudo tem como origem a China, de onde se dispersou pela Ásia e outras partes do mundo, chegando ao sul do Brasil por volta do início do século XX. É uma cultura de implantação fácil e rápido desenvolvimento inicial, sendo rústica e de ciclo curto. Possui potencial como alimento nutracêutico, dietético e medicinal. Os frutos contêm proteínas, carboidratos e minerais (como zinco, cobre e manganês), é rico em fibras alimentares, contribuindo para o bom funcionamento do trato gastrintestinal. Pode ser utilizada como planta de cobertura (adubação verde) por possuir grande tolerância à acidez e boa capacidade de se desenvolver em solos pobres. Os grãos, feno ou silagem do trigo mourisco podem ser utilizados na alimentação de bovinos, ovinos, suínos, caprinos e aves. Apresenta qualidade semelhante à forragem do milheto, mas com alta concentração de proteínas. Adicionalmente, seu controle sanitário vegetal foi constatado pelo eficiente controle de plantas invasoras mono e dicotiledôneas em áreas após a utilização do trigo mourisco como adubação verde, o que pode ser devido aos exsudatos radiculares, e ao fato de ser uma planta de família diferente das normalmente cultivadas. O trigo mourisco contém rutina, um bioflavonoide cuja maior concentração se encontra nas folhas e flores, e alto teor de lisina, um aminoácido deficiente na maioria dos cereais. É rico em tanino, constatou-se que o conteúdo fenólico total da fração de tanino a partir de sementes foi de 477 mg g-1 de fração. Maior atividade antioxidante foi encontrada nas sementes em comparação à sêmola. Acredita-se que os taninos possam exercer ação anti-helmíntica direta em ruminantes ao reduzir a fecundidade das fêmeas de nematódeos, ou indireta, ao aumentar a resposta imune por proteger a proteína ingerida da degradação ruminal, aumentando sua disponibilidade no trato gastrintestinal inferior. A partir dos resultados apresentados por este trabalho de pesquisa, pôde-se concluir que o trigo mourisco é uma planta que apresenta importante potencial no controle sanitário animal e vegetal, justificando assim investigações científicas nesta área.