Experiência: EXPERIÊNCIA DA ASSOCIAÇÃO DE MULHERES ARTESÃS DE BOA VISTA DO RAMOS - AMAZONAS
Chamada : Fala da experiência de um grupo de mulheres urbanas e rurais, que trabalham com fabricação de sabonetes, bordados, bordados com fitas, tecelegem de cipó, desde de 1998 no Estado do Amazonas.

Ano Publicação: 2010
   
Em 2000 o SEBRAE através da prefeitura de Boa Vista do Ramos no estado do Amazonas realizou no município diversos cursos de desenvolvimento local, como, associativismo, cooperativismo, gerenciamento, fabricação de sabonete.
Foi, então, criado um Clube de Mães com o objetivo de colocar em prática o que aprenderam no curso, tirando as mulheres do anonimato e do espaço doméstico, pois elas ficavam com toda a responsabilidade do cuidado da casa, da família (filhos e netos) e da roça. As mulheres passaram, então, a produzir de forma coletiva sabonetes, embalagens, pinturas, etiquetas e artesanato (buscui, bordados).

O trabalho era dividido em pequenos grupos, cada um com uma função. Algumas mulheres trabalhavam com bordado, outras com pintura, fabricação de sabonete, embalagens e etiquetas, de acordo com a habilidade de cada uma. Aquelas que tinham mais dificuldades ajudavam a embalar.
Esses produtos eram comercializados em feiras locais, regionais e nacionais e através de encomendas. Do dinheiro obtido com a venda dos produtos uma parte era para o capital de giro, ou seja, para investir na compra das matérias-primas e o restante era dividido entre as sócias.
O que mantinha as mulheres no grupo era a força de vontade e a possibilidade de troca de experiencias e as que desistiram é que porque mudaram do município.
Com o trabalho no Clube de Mães, muitas sócias passaram a ter opinião própria, começaram a planejar sua vida familiar e economica e passaram a valorizar a sua alimentação e cuidados com a higiene e com a beleza. Muitas passaram a usar batom, pintar unha, a se cuidar melhor.
O machismo era um dos principais impedimentos para o avanço do grupo, pois muitos maridos não aceitavam que suas mulheres fizessem parte do clube de mães e que participassem de movimentos. As mulheres que tinham mais experiência colocavam essa discussão no grupo e falavam da importância das mulheres não ficarem submissas ao marido e a familia e da necessidade de dar mais valor a si própria.
A falta de recursos e infra-estrutura (espaço proprio e adequado para a produção; fogão; panelas; etc) também foram dificuldades encontradas.
Em 2005 o clube de mães enfrentou um problema com prefeitura, pois a Secretaria de Assistência Social que era coordenada pela primeira dama, queria influenciar nesse trabalho. Foi então, que as mulheres do clube resolveram criar uma associação – a Associação de Mulheres Artesãs de Boa Vista do Ramos/AMA – para garantir sua autonomia em relação prefeitura.
A associação encontrou muitas dificuldades para continuar funcionando. Quando a presidente foi estudar fora do municipio, a associação acabou sendo desativada, ficando assim por alguns anos.

A REATIVAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO

A participação de uma mulher do sindicato do municipio de Boa Vista do Ramos no curso do PROFOR incentivou as mulheres a reativarem a AMA. Isso aconteceu porque ao discutir com a diretoria do sindicato sobre qual experiencia seria sistematizada para o curso profor, concluiu-se que esta seria uma oportunidade de conhecer melhor a AMA e entender porque ela estava desativa.
No início foi dificil mobilizar as mulheres. Apenas na 3ª reunião conseguimos juntar 15 mulheres, sendo que 12 delas fizeram parte da associação. Nessa reunião, foi feita a sensibilização das mulheres do grupo para a importância de refletir sobre aquela experiência. O roteiro de sistematização nos ajudou a recuperar a história do grupo e despertou o desejo de reativar esse trabalho.
No dia 27 de fevereiro de 2010 foi realizada eleição da diretoria e agora estamos trabalhando na reformulação do seu estatuto. Estamos em processo de legalização da AMA. Mas, nossa maior dificuldade é a falta de recursos financeiros para pagar os documentos necessários.
A AMA tem hoje 39 sócias de 18 a 60 anos. Parte dessas mulheres são semi-analfabetas, outras possuem o ensino fundamental incompleto e duas já tem ensino superior.
Atualmente, na associação temos duas técnicas que estão trabalhando para captar recursos, negociar projeto e fazer parcerias para capacitar outras mulheres da diretoria.
Devido ao tempo que ficou desativada a associação, as mulheres identificaram a necessidade de fazer cursos de reciclagem para a produção de sabonetes e pintura. Também consideram importante serem capacitadas em cooperativismo e associativismo, assim como a questão econômica (ver a questão do preço e do lucro).
Participamos do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Boa Vista do Ramos e da Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazonia (RMERA).
Já iniciamos a produção de sabonetes e toalhas para presentear as alunas do profor. Mas, esperamos iniciar a produção em abril. Nossa expectativa é comercializar esses produtos de forma coletiva nas feiras e inserir em uma loja do município que nos disponibilizou o espaço.
Alguns maridos ainda tem preconceito e desconfiança, se depender deles seremos sempre donas de casa, mas estamos buscando superar isso através do diálogo.
Seguimos em frente com a força de vontade e perseverança e sabendo que a AMA ainda está viva dentro de cada uma de nós. Desejamos ter muito sucesso e ter nosso trabalho reconhecido e valorizado na sociedade.
Autor(es):

Associação de Mulheres Artesãs de Boa Vista do Ramos
Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia

Relator(es):

Cledineuza Maria Bezerra Oliveira

Anexos
  frm_exp_geral_ex_anexos_0_826_Cop ()
  frm_exp_geral_ex_anexos_1_826_Cop ()
  frm_exp_geral_ex_anexos_2_826_Cop ()

Áreas Temáticas
 Agricultura Urbana
 Desenvolvimento Rural

Áreas Geográficas
 Boa Vista do Ramos