Experiência: Jovem multiplicador de práticas agroecológicas: Na Zona da Mata de Pernambuco a agrofloresta muda a vida nos assentamentos.
Chamada : A experiência do Jovem Gideão e sua família no desenvolvimento de SAF´s e multiplicação de conhecimentos agroecológicos em Rio Formoso/Pe.

Ano Publicação: 2011
   
O jovem Gideão Patrício vive no assentamento Amaraji, no município de Rio Formoso, na região da Mata Sul de Pernambuco. Ele mora com os pais José Olival e Maria Nazaré, duas irmãs, um irmão e uma sobrinha numa área de sete hectares de terra, conquistada pela família em 1998. O lugar, que antes só tinha cana-de-açúcar, hoje é coberto por uma diversidade de plantas entres lavouras e espécies nativas. A família trabalha com os Sistemas Agroflorestais (SAFs) que mudou a vida da família.

Desde 2005 que Gideão e a família participam de reuniões, oficinas e intercâmbios realizados pelo Centro Sabiá. Essas atividades mudaram a forma da família tratar a terra e diversificar a sua produção. Segundo Gideão, antes eles não conheciam outra forma de produzir a não ser investindo na plantação de cana. “Meus pais trabalhavam muito na cana-de-açúcar e não ganhavam quase nada. O meu interesse pela agricultura era muito pouco e eu só pensava em ir embora daqui quando ficasse maior de idade”, lembra o jovem.

Ao conhecer as áreas de outras famílias agricultoras, os pais de Gideão, junto com o jovem, resolveram acabar com a plantação de cana em três hectares de terra da sua parcela. A ideia foi de fazer uma agrofloresta nessa área, onde plantaram pés de furtas, plantas nativas e lavouras anuais como feijão, milho e macaxeira. “Mas, não foi fácil. Aqui, muita gente chamava minha família de louca, porque a gente tinha acabado com a cana-de-açúcar para plantar fruta, milho, macaxeira e nativas tudo junto”, relembra.

Uma decisão acertada
A família de Gideão, hoje, percebe que tomou uma decisão acertada. O Sistema Agroflorestal está bem diversificado e gerando alimento para a família levar à mesa e comercializar. Já Gideão, tornou-se um jovem multiplicador de práticas agroecológicas e orienta diversas famílias no no assentamento Amaraji, com o apoio do Centro Sabiá, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Além disso, organizou um viveiro de mudas que tem uma variedade de plantas desde frutíferas a nativas.

Como jovem multiplicador Gideão Patrício, vem atuando na divulgação da agrofloresta no assentamento Amaraji. Desde o início do ano que ele faz assessoria às família, colocando seus conhecimentos a serviço da comunidade e adquirindo outros conhecimentos com agricultores e agricultoras a região. Uma partilha que vem dando bons frutos. “Tinha agricultor que não acreditava na agrofloresta. Achava que era tudo conversa fiada. Mas agora, com as visitas que estou fazendo, o agricultor começou a acreditar que pode ganha dinheiro e alimentar a sua família sem destruir o meio ambiente”, diz Gideão.


Uma semente que se plantou
A produção de cana-de-açúcar no assentamento e na região ainda é muito grande. Mas Gideão e sua família acreditam na semente que plantaram, pois já têm frutos brotando. Na propriedade da família, o alimento é garantido e a geração de renda também, com a comercialização da produção.
Em 2010 passaram também a criar abelhas, estão começando com duas colméias, que já produzem uma média de 15 litros. “Além da renda, as abelhas polinizam as flores, dando mais frutos, um exemplo é o caju”, enfatiza o jovem.
O trabalho envolve todos e todas da casa, que vão desde os afazeres domésticos até a comercialização dos produtos entre vizinhos, e na Feira da Agricultura Familiar, em Rio Formoso.
Embora as estradas para o acesso às feiras sejam precárias, a famílias persiste na comercialização, e utiliza animais para o transporte de produtos até o ponto em que os carros têm acesso.
O trabalho com agrofloresta trouxe mudanças de comportamento e de vida para a família. A mesa hoje é farta e o sustento vem da terra conquistada. Para vencer dificuldades como o difícil acesso a crédito para quem trabalha com agrofloresta e o escoamento da produção, devido as más condições das estradas e a falta de transporte, a família de Gideão participam da Rede de Agroecologia da Mata Sul (Rama). Organizar-se em redes e articulações é uma das estratégias das famílias agricultoras para conquistarem direitos e benefícios par a agricultura familiar
Autor(es):

RAMA - REDE DE AGROECOLOGIA DA MATA ATLÂNTICA
ANA - Articulação Nacional de Agroecologia
Centro Sabiá

Relator(es):

Centro Sabiá

Anexos
  frm_exp_geral_ex_anexos_2_1031 ()
  frm_exp_geral_ex_anexos_1_1031_Gideao_e_o_p ()
  frm_exp_geral_ex_anexos_0_1031_Gide ()

Áreas Temáticas
 Sistemas Agroflorestais e Agroextrativismo
 Infância/Juventude
 Comercialização
 pt-br:Construção do Conhecimento Agroecológico|es:Construcción del Conocimiento Agroecologico

Áreas Geográficas
 Rio Formoso