ASSOCIAÇÃO DE AGRICULTORES FAMILIARES SABERES DA TERRA DE RINCÃO DO TIGRE- Grupo de mulheres

O grupo de mulheres do Rincão do Tigre começou a se organizar a partir do estímulo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Joaquim que indicou a comunidade para um diálogo com o Centro Vianei de Educação Popular para a inserção na Rede de Agroecologia do Território Serra Catarinense. Através de um Diagnóstico Rural Participativo – DRP na comunidade seguido de um Planejamento Estratégico Participativo iniciou-se as atividades de assessoria a um grupo predominantemente de 15 mulheres afrodescendentes no ano de 2004. As mulheres agricultoras pertencem a famílias onde todas possuem algum laço de parentesco, herdeiras de pequenas áreas de terra que se destinada parte para cultivo de subsistência e parte para o cultivo de batata, além de praticarem o arrendamento de outras áreas. A grande maioria das participantes do grupo presta serviços no período de safra aos grandes pomares de maçã e batata. Na entre safra desenvolvem uma importante atividade na região, a coleta do pinhão. O extrativismo é uma característica histórica destas famílias que possuem permissão de donos de grandes áreas cobertas de pinheirais para a coleta do pinhão, realizado “as meias”, ou seja, parte fica com o dono da terra e parte para quem coleta. No início do processo organizacional o grupo optou pela realização de trabalhos manuais, visto terem participado de vários cursos de crochê, pintura, bordado, patchwork e pintura em madeira. Em 2006 o grupo recebeu apoio do Programa de Promoção a Igualdade de Gênero Raça e Etnia para a aquisição de máquinas para costura e bordado. Como o trabalho manual era somente uma das formas de complementação da renda, buscou-se na produção agroecológica a segurança alimentar da família, onde as mulheres também se desafiaram a produzir hortaliças e outras espécies nativas através do trabalho com os quintais agroflorestais, resgate e melhoramento de sementes, especialmente de milho crioulo. Muitas integrantes do grupo relataram que no sistema convencional não estava dando mais resultado, tudo que era produzido ficava na mão dos atravessadores, nas agropecuárias e nas farmácias, as pessoas estavam doente devido ao contato com agrotóxico. Portanto através de reuniões, cursos de capacitação e intercâmbios com outros grupos, conhecendo novas experiências e trocando conhecimentos que a maioria das mulheres do grupo foi convencendo os demais membros da família a produzir agrocológico. No início eram somente as mulheres, hoje toda a família está na atividade, até os mais idosos fazem parte do grupo. Porém é a mulher a referência no processo e no desenvolvimento do grupo. A inserção na Rede de Agroecologia possibilitou o acesso a vários programas e políticas públicas voltadas para a produção familiar agrocológica, como a comercialização no Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e na Alimentação Escolar, o recebimento de kits feira utilizado na feira local, o acesso ao Programa Nacional de Habitação Rural, entre outras possibilidades que somente são possíveis através de uma organização maior. O ensinamentos mai0res apontados pelo grupo é a “Renovação com o direito da vida, as famílias satisfeitas com o novo caminho a ser percorrido,a volta dos jovem que deixaram o meio rural para ir para cidade, que em grupo você tem mais força para lutar pelos seus direitos e buscar novas alternativas. Cada dia se aprende algo novo, esse conhecimento é repassado para outras pessoas que são incentivadas e acolhidas no grupo para que o processo continue incentivando os mais jovens para o processo não parar”.

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