ÁREA DE FUNDO DE PASTO ( associação Pau Ferro)

A CAATINGA é um bioma genuinamente brasileiro, rico em plantas e animais. Quando bem administrado, pode ser a base segura de vida, sem precisar temer as irregularidades climáticas. Mas está sendo devastado, desde os primórdios da colonização. Com a preocupação de encontrar maneiras de recomposição florestal da Caatinga (“RECAATINGAMENTO”), com a parceria com o IRPA, a partir da realidade e experiências das comunidades tradicionais de Fundo de Pasto e inverter a degradação ambiental e combater a desertificação na zona semi-árida brasileira, a Associação Agropastoril dos Pequenos Criadores. A atividade agropecuária tem relevante papel dentro do contexto de formação e desenvolvimento de uma infra-estrutura econômica e social que promove a melhoria contínua das condições de vida da população do semi-árido. A caprinocultura e a ovinocultura, como atividades tradicionais do semi-árido, associadas a objetivos diversos ligados à satisfação das necessidades sócio-econômicas de curto prazo, segurança e sobrevivência, se apresentam como uma das alternativas mais apropriadas para gerar crescimento econômico e benefícios sociais. Formas tradicionais de criação de caprinos e ovinos são encontradas em comunidades denominadas Fundo de Pasto, no Estado da Bahia. Nestas comunidades, em que a terra é de uso comum, é praticada a agricultura, freqüentemente utilizando corte e queima da caatinga, e a pecuária, com criação extensiva em pastagem nativa de uso coletivo, geralmente superpastejadas. A produção é fortemente dependente das condições climáticas. Na estação chuvosa, época em que ocorre a produção agrícola e há maior oferta de forragem nativa para os animais, há também o excesso de pastoreio. Como a crescente pressão sobre os recursos naturais compromete a existência destas comunidades e de seus meios de produção, torna-se importante adotar um manejo racional da caatinga. Os sistemas de produção agrossilvipastoris que integram a exploração de lenhosas perenes com culturas e pastagem vêm sendo propostos como alternativas ecologicamente sustentáveis para o semi-árido. O uso de espécies arbóreas, tanto no campo agrícola, como no pastoril, constitui garantia de manter ativa a circulação de nutrientes e o aporte significativo de matéria orgânica, condição essencial para se cultivar, de maneira continuada, os solos tropicais. Para o Nordeste, as técnicas de manipulação da caatinga utilizadas nos sistemas agrossilvipastoris, como raleamento, rebaixamento e/ou enriquecimento, proporcionam o desempenho sustentado da pecuária. Na comunidade de PAU FERRO, em UAUÁ-BA, um grupo de 12 famílias tentou mudar o modo de produção de cabras e ovelhas. Na comunidade a criação de caprinos e ovinos é uma antiga tradição, e lá existe o Fundo de Pasto, uma forma coletiva de uso da terra e dos recursos naturais, com relações baseadas na solidariedade e coletividade. A organização começou nos anos 1990 com a luta do bode solto durante a implementação da lei dos 4 fios que determinava que toda a criação deveria ser presa. O primeiro passo foi a regularização e a titularização das terras, quando foi criada a Associação das Comunidades de Fundo de Pasto e, posteriormente, a Central das Associações. No final de 2001 foi realizado um diagnóstico onde foram apontados os principais problemas da criação e iniciado as experiências com práticas de manejo sanitário e alimentar para melhorar o rebanho. As famílias desenvolvem práticas de vermifugação, descorna, castração, formação de piquetes, cercas vivas, cerca elétrica, construção de coberturas e apriscos, limpezas das instalações, aproveitamento do esterco na adubação, armazenamento de forragens nativas e cultivadas através de feno e silagem. Ainda plantam em consórcio várias forrageiras como palma, andu, sorgo, girassol, leucena, gliricídia, melancia caiana, milho, feijão-de-porco, cana e etc. Esta experiência inovadora só gerou benefícios para a comunidade, que agora já pode viver da renda vinda da criação de bode. O foco é que fique um pasto natural que dê alimentos não só para os animais mais para as famílias. “A intenção é que os animais fiquem aqui mesmo sem precisar ir buscar alimento muito longe”.

Experiência
ÁREA DE FUNDO DE PASTO ( associação Pau Ferro)
Chamada
123
Ano de publicação
2010
Última atualização
28/05/2018
Autoras/es
Relator/a
Anexo
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