O sistema agroflorestal do Alexandre e da Josiane

Alexandre e Josiane são casados e moram na comunidade da Serra dos Carolas, município de Divino, na Zona da Mata mineira. O casal de agricultores sempre foi interessado nas questões ambientais, e desde 1995 trabalham com um sistema agroflorestal. O manejo se iniciou com uma capoeira, e atualmente Alexandre se dedica ao processo de conversão para café orgânico. Para se produzir bem o café, o casal percebeu que era importante uma poda bem drástica nas árvores, para maior entrada de luz e matéria orgânica no sistema. As árvores cultivadas são bem mais altas que o café, com alturas entre cinco e dez metros. O solo fica todo coberto com material da poda e com o mato, permitindo que fique mais fresco e rico em matéria orgânica. O casal possui duas lavouras de café, com espaçamento entre 3,5 x 1,5 m, com cem árvores e um bom sombreamento. Os 1.600 pés de café produzem treze sacas. Além das árvores mais altas tem ainda feijão-de-porco, lab-lab, abóbora, sojinha e mamona. Alexandre deixa o mato com joão-leite, picão e caruru, além de banana e mamão. O casal retira lenha e madeira do sistema agroflorestal, além de colherem banana, maçã, laranja e lima. As árvores favoritas de Alexandre são: açoita-cavalo, ipê preto e maria-preta; já que possuem raízes profundas e não prejudicam o café. Ainda são plantadas leiteira, ipê-roxo, ipê-amarelo, tambu, cedrinho nativo, capoeira-branca, crindiúva, pau-brasil, papagaio, flor-de-maio, abacate, manga, graviola, ameixa, ingá, fruta do conde e acerola. Josiane e Alexandre não ficaram satisfeitos com os resultados da brauninha, braúna-parda, angico-vermelho, tajuba, bico-de-pato, jacaré e canela; e as eliminaram da agrofloresta. Abaixo, algumas dicas do casal para quem quiser implantar um sistema agroflorestal: - se for trabalhar sozinho, comece o sistema com 600 a 1.000 pés de café - fazer análise do solo para saber a condição dos nutrientes que as plantas precisam - pulverizar com super-magro e urina de vaca, pois fortalece a planta - podar os galhos que estão muito próximos do café - nas espécies que perdem folhas poda-se somente os galhos baixos, deixando a copa por cima (nas que não perdem folhas deve-se podar a copa também) - a poda é feita no período da seca, após a panha do café - não pode deixar as copas das árvores se entrelaçarem - deve-se deixar o material da poda se decompor no local que caiu, e só quando começar a apodrecer trazer para a saia do café - o número de árvores da agrofloresta varia, mas geralmente se inicia com muitas e vai diminuindo conforme elas crescem.

Experiência
O sistema agroflorestal do Alexandre e da Josiane
Chamada
Produção de café em sistema agroflorestal na Zona da Mata mineira
Ano de publicação
2005
Última atualização
17/04/2018
Autoras/es
Relator/a
Áreas Temáticas
Áreas Geográficas
Comentários
Ainda não há comentários sobre esta experiência.