PLANTANDO UM FUTURO MELHOR: A HISTÓRIA DE IVANETE, PAULÃO, CARINE E KATIANE

A agroecologia é cultura, é ciência, é natureza, história e sabedoria. E tudo isso está na vida e no dia a dia de homens e mulheres do campo que, com muito conhecimento e trabalho, vem traçando através do tempo uma história de resistência, luta e também de muitas conquistas. A comunidade de São Pedro de Cima não é diferente disso, muito pelo contrário. Por ser uma comunidade tradicional quilombola, possui um papel muito especial na preservação e reconhecimento da cultura negra, tão significativa no nosso país. A história da comunidade se desenha através da narrativa da família de Ivanete e Paulão. A família possui uma trajetória cheia de luta, desafios, conquistas e bons casos para contar! Tudo começou com a chegada de dois antepassados que demarcaram suas terras a partir de uma samambaia! Isso mesmo, a samambaia, era chamada naquela época de Pau Cruz e como um deles era muito evangélico e não possui a cruz como símbolo, resolveram os dois que o evangélico ficaria com as terras de baixo, onde não havia muita samambaia, hoje São Pedro de Baixo e o outro ficaria com as terras de cima, hoje São Pedro de Cima, atualmente uma comunidade quilombola, onde vive Ivanete, Paulão e as filhas Catiane e Karine. O tempo foi passando, as famílias crescendo, as terras se dividindo e os conflitos aparecendo. Questões como preconceito, racismo e desigualdade racial assombram nossa sociedade desde muito tempo. Na comunidade de São Pedro de Cima, esses males começaram a ser enfrentados quando as professoras Dalgiza e Cida, ao notar uma clara distinção no tratamento entre os alunos negros e os brancos, iniciaram um longo processo de combate ao racismo e à desigualdade impostos àqueles jovens e a toda comunidade. Várias iniciativas foram tomadas, como palestras de conscientização e valorização da identidade negra, informações acerca de políticas públicas existentes e sobre seus direitos como cidadãos, além da apresentação de várias expressões culturais com o intuito de mostrar aos moradores de São Pedro de Cima o quão forte e bonita é sua cultura. A partir destas ações, membros da comunidade começaram a participar do movimento negro, com o incentivo inclusive de projetos de extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora.