DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA PRODUÇÃO DE LEITE NO ASSENTAMENTO OLGA BENÁRIO

A luta das famílias do Assentamento Olga Benário vem sendo traçada desde sua chegada ao local, no ano de 2005, e permanece cada vez mais forte pelos dias de hoje. A conquista da terra e a autonomia são as maiores alegrias das famílias. Quando os lotes foram regularizados, os agricultores e agricultoras ficaram muito felizes, pois sabiam que teriam para sempre uma moradia para a família e um pedaço de terra para produzir. A partir da conquista, era hora de cultivar a terra, colher bons frutos para a alimentação e para a geração de renda das famílias. Entretanto, os agricultores e agricultoras, em sua maioria, vieram de outras regiões do país, chegando num ambiente até então desconhecido, necessitando lidar no dia a dia com os desafios presentes no local, como os históricos processos de degradação ambiental, relevo montanhoso e o período de seca, que na região, normalmente é de dois a quatro meses. O desafio foi lançado e a superação aos poucos está sendo alcançada. As famílias já produzem tanto para venda quanto para autoconsumo: milho, feijão, mandioca, abóbora, café, variadas frutas e hortaliças, cana de açúcar, galinhas, leite, mel e muito mais! Atualmente ainda existem muitos desafios, dentre eles a alimentação do rebanho leiteiro, principalmente durante o período seco e o manejo adequado das pastagens. Há carência de informações sobre técnicas e tecnologias de manejo e pastagens adequadas à agricultura familiar e que possibilite com sustentabilidade econômica e ambiental a oferta de alimentos adequados aos animais. As formas de alimentar os animais durante a seca são diversas. Muitas famílias utilizam a cana, presente na maioria dos lotes que possuem rebanho leiteiro e algumas possuem capineiras de capim Cameron e Napier. Muitos misturam capim picado com cana, como forma de estimular o consumo e melhorar a qualidade do alimento. Os animais coletam frutas durante o pastejo, recebem sobras de hortaliças, folhas e raiz da mandioca picadas no cocho. Muitos fornecem sal mineral e ração. A quantidade de ração fornecida é variada, mas algumas famílias não fornecem nenhuma ração. O preço da ração é muito alto e uma alternativa encontrada por um dos assentados foi adquirir os ingredientes da ração separados e misturá-los na propriedade. Além de reduzir os custos, este assentado afirma que é um produto mais confiável, pois ele mesmo conhece o que foi colocado na ração. Ele utiliza na mistura ingredientes como fubá, soja, farelo de trigo e sal mineral. Vários lotes são muito amorrados e as famílias precisam ter cuidado para explorar estas áreas pelas atividades agropecuárias. Os morros são mais sujeitos a erosão e o fornecimento de água nas pastagens desses locais também é difícil. Vacas em produção necessitam tomar muita água, uma vez que o leite possui de 87 a 88 % de água. A água deve estar à disposição dos animais em bebedouros, à vontade e próxima das áreas de alimentação.