Oficina Cromatografia de Pfeiffer: uma técnica para análise da saúde do solo

A oficina Cromatografia de Pfeiffer foi realizada no Laboratório de Fertilidade do Solo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba, no dia 8 de dezembro de 2015. Constituiu a última atividade do ano do Núcleo de Agroecologia Apêtê Caapuã, e ocorreu por haver uma demanda do grupo por conhecer melhor a técnica de análise da saúde dos solos e para que trabalhos nessa área pudessem ser desenvolvidos entre a comunidade acadêmica e os assentamentos e grupos rurais parceiros. Glaucia dos Santos Marques, engenheira agrônoma pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), compartilhou seus conhecimentos sobre a Cromatografia de Pfeiffer, tema de seu trabalho de conclusão de curso. Ensinou a metodologia para obter os cromatogramas no laboratório, sem deixar de mencionar as possíveis adaptações da técnica para ser aplicável com agricultores e agricultoras. As amostras de solo foram coletadas na área do campus UFSCar-Sorocaba em 10 pontos diferentes, visando conhecer como os diferentes tipos de uso e cobertura do solo são demonstrados em um cromatograma. Essas amostras foram: 2 do fragmento linear, 2 de sistema agroflorestal (SAF) e 1 de SAF onde havia um composto biodinâmico, 1 de borda de fragmento, 2 de pastagens, 1 de solo exposto e 1 de areia de construção. A técnica possui muitos detalhes e o tempo de execução é longo, por ser necessário esperar as substâncias reagirem. Enquanto o grupo esperava, Glaucia contou um pouco da história dessa técnica, suas experiências com a Cromatografia e discutiu sobre as formas de coletar as amostras e tratá-las ou analisar os cromatogramas. Existem livros que auxiliam a interpretação dos resultados, como o pioneiro Cromatography Applied to Quality Testing, de Ehrenfried E. Pfeiffer ou Cromatografía: imagenes de vida y destrucción del suelo, de Jairo Restrepo Rivera e Sebastião Pinheiro. Os resultados também podem ser avaliados aplicando-se a eles softwares de imagens, como o GIMP ou indicadores de diversidade. Os cromatogramas são analisados em relação às cores e formas das diferentes zonas, e sua integração. Existem a zona central ou a zona das atividades microbiológicas, a zona intermediária ou a zona dos minerais, e a zona externa ou periférica, em que se observa a atividade das proteínas e se manipula o papel. Essa especificação se encontra na Cartilha da Saúde do Solo (Cromatografia de Pfeiffer), de Sebastião Pinheiro. No preparo dos cromatogramas foram utilizados soda cáustica (NaOH 100%), solução extratora e nitrato de prata (AgNO3 100%), solução reveladora, que aplicados nos papeis filtro Whatman n. 4, separaram e coloriram as substâncias minerais da solução do solo. Assim, pode-se analisar os cromatogramas, em anexo. Um solo sem vida é representado por um precipitado escuro/negro na zona central, indicando que as atividades de oxidação, fermentação ou respiração não ocorrem, pois os organismos aeróbicos estão em menor proporção em relação aos anaeróbicos e substâncias tóxicas foram liberadas na atmosfera do solo. Todos os cromatogramas, exceto o E (areia), mostraram cores variando pouco do creme claro, ou seja, estes solos possuem atividade aeróbica em maior proporção que a anaeróbica, e a atmosfera do solo não está tóxica. Considera-se que estes solos possuem mais “vida”. A zona intermediária demonstra os minerais metabolizados por micro-organismos. Os sulfetos e a pouca oxigenação tendem a escurecer o cromatograma. Se esta zona estiver bem desenvolvida, tocando a borda do cromatograma, e possuir diversas “pontas de flechas” desde a zona central até a zona externa, está ocorrendo a integração dos minerais vivos (metabolizados). A saúde e qualidade do solo é marcada pela diversidade e harmonia nesta zona, além de considerar a integração entre zonas. Os cromatogramas aqui analisados possuem “pontas de flechas” diversas e em harmonia, exceto o D (solo exposto), e o E (areia de construção), em que estas são quase ou totalmente inexistentes, respectivamente. Na zona externa, analisa-se as proteínas, vitaminas e enzimas, substâncias que percorreram todo o cromatograma para reagir com o restante de prata livre. Complexos como “nuvens”, “ondas”, “dentes de cavalo”, “bolhas” são formados e solos mais vivos são marcados por picos distintos e diversos. O cromatograma A (fragmento florestal), exibe uma grande quantidade de bolhas e seus picos são bem variados. O cromatograma B (sistema agroflorestal), possui picos variados e menor quantidade de bolhas em relação ao B. Apesar dos picos de C (pastagem), serem variados, as bolhas ou nuvens são inexistentes. O cromatograma D (solo exposto), possui bolhas e alguma diversidade de picos, porém em menor proporção que o A, B e C, e o E, areia de construção, possui uma pequena nuvem. Através dessas análises, pode-se dizer que a saúde do solo de um sistema agroflorestal se assemelha mais à de um fragmento florestal. A diferença mais marcante entre estes tipos de cobertura e uso do solo com a pastagem, é que a última possui pouca atividade proteica, ou seja, não há diversidade de micro-organismos neste solo – são estes que realizam a biossíntese proteica. Os cromatogramas de solo exposto e areia de construção são os que mais diferem dos demais por não possuírem muita vida e, portanto, saúde. Vale ressaltar que essas análises partem dos pontos em que o solo foi coletado. A partir destas informações, a tomada de decisões sobre a área analisada se torna facilitada e com menor custo do que teria se fosse necessária uma análise química. A técnica, se aplicada com agricultores, pode auxiliá-los na gestão de suas propriedades e serve como uma garantia da qualidade do solo, como dizem Rivera e Pinheiro. A oficina foi esclarecedora e rica em conteúdo teórico e prático. Os integrantes do Núcleo de Agroecologia Apêtê Caapuã foram capazes de se mobilizar para iniciar um grupo de pesquisa nesse tema a partir do embrião que a oficina ajudou a formar. Apoio: Bolsas concedidas pelo CNPq edital 081, Laboratório de Fertilidade do Solo da UFSCar-Sorocaba e Gláucia dos Santos Marques.

Experiência
Oficina Cromatografia de Pfeiffer: uma técnica para análise da saúde do solo
Ano de publicação
2016
Última atualização
17/04/2018
Autor/a
Relator/a
Anexo
Áreas Temáticas
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