Troca de Saberes no Cultivo de mandioca por agricultores indígenas ticuna - Belém do Solimões/Tabatinga-Am

A presente experiência fez parte das ações do Programa Conjunto "Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas do Brasil, agenciado pela Organização das Nações Unidade - ONU juntamente com os parceiros, ao qual o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas - IFAM atuou na execução das oficinas de troca de saberes. As experiências foram realizadas no município de Tabatinga, no período de 26 a 30/08/2011, na comunidade indígena Belém do Solimões, localizada a margem esquerda do rio Solimões. Durante a Oficina sobre o Cultivo de Mandioca, foram feitos levantamentos do contexto local em relação aos aspectos de beneficiamento da produção, acesso a água potável, lixo e comercialização dos produtos agrícolas, e em todos os aspectos houveram problemas com necessidade de intervenção. Além desses aspectos, foram levantados aspectos relacionados a oficina, ao qual pode-se intervir no sentido de apresentar aos agricultores familiares indígenas alternativas de melhoria e fortalecimento das unidades produtivas familiares já existentes, levando em consideração o bem estar social, bem como o uso racional dos recursos naturais. A partir deste ponto, O curso de Mandioca foi delineado da seguinte forma: a. Aquisição de sementes/manivas: Observou-se durante as aulas teóricopráticas uma dificuldade na aquisição de sementes/manivas de boa procedência,onde em alguns casos os produtores rurais utilizam a semente (fruto) da planta para propagação. Há pouco ou quase não há critério de seleção de sementes/manivas para plantios. Como atividade de campo, utilizou-se a prática de propagação de micro estacas, onde os participantes selecionaram no plantio de mandioca com idade de aproximadamente 01(um) ano as plantas que consideravam melhores geneticamente, em termos de produção de raiz, não aparecimento de pragas e doenças. E a partir daí, prosseguiu-se a atividade prática que teve o objetivo de multiplicar em até 05(cinco) vezes o número de sementes/manivas para o plantio, em relação ao método tradicionalmente utilizado. b. Organização espacial do plantio: Durante as visitas nas roças dos participantes, notou-se a forma de plantio característica dos agricultores tradicionais, plantios de uma ou mais cultura, sem espacialização definida. Considerou-se nessa atividade, a necessidade de recomendar espaçamentos de culturas tecnicamente definidos, com o uso de uma cultura somente, no caso a mandioca, através do cultivo adensado ou através de consórcio de culturas, como mandioca, milho e feijão. Uma observação relevante aconteceu durante a prática onde replantou-se sementes/manivas semeadas a pouco mais de um mês, onde as mesmas ocupavam uma área de aproximadamente, 600 m², e após o replantio com espaçamento de cultivo adensado de 0,80m x 0,60m, o espaço ocupado pela mandioca foi de somente um terço da referida área. Ressaltou-se nessa prática, a importância do aproveitamento do solo, a diminuição da mão de obra, o melhoramento do solo com a rotação de culturas e o consórcio de culturas, otimização da produção em uma pequena área. c. Aproveitamento dos resíduos: Os resíduos do cultivo da mandioca, principalmente a casca, a manipueira e a cepa, são despejados na área sem algum tipo de aproveitamento. Além dos restos da própria cultura e de outras trabalhadas também na roça. Para essa finalidade, foi trabalhada a produção de adubo orgânico, através da compostagem onde, utilizando esses materiais e outros existentes no local, como matérias seca e verde, restos de outras culturas. Ressaltou-se nessa prática: produção de adubo para minimizar possíveis custos com a aquisição de adubos químicos, melhoramento do solo, produção de matéria orgânica, disponibilidade de nutrientes para as plantas. Através da oficina de troca de saberes com os agricultores indígenas descobriu-se a importância da manutenção do conhecimento tradicional e da possibilidade de aumento das condições de agregação de valor de cunho econômico, social e ambiental no espaço rural em Belém do Solimões, Tabatinga, Amazonas.

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