Jovem multiplicador de práticas agroecológicas: Na Zona da Mata de Pernambuco a agrofloresta muda a vida nos assentamentos.

O jovem Gideão Patrício vive no assentamento Amaraji, no município de Rio Formoso, na região da Mata Sul de Pernambuco. Ele mora com os pais José Olival e Maria Nazaré, duas irmãs, um irmão e uma sobrinha numa área de sete hectares de terra, conquistada pela família em 1998. O lugar, que antes só tinha cana-de-açúcar, hoje é coberto por uma diversidade de plantas entres lavouras e espécies nativas. A família trabalha com os Sistemas Agroflorestais (SAFs) que mudou a vida da família. Desde 2005 que Gideão e a família participam de reuniões, oficinas e intercâmbios realizados pelo Centro Sabiá. Essas atividades mudaram a forma da família tratar a terra e diversificar a sua produção. Segundo Gideão, antes eles não conheciam outra forma de produzir a não ser investindo na plantação de cana. “Meus pais trabalhavam muito na cana-de-açúcar e não ganhavam quase nada. O meu interesse pela agricultura era muito pouco e eu só pensava em ir embora daqui quando ficasse maior de idade”, lembra o jovem. Ao conhecer as áreas de outras famílias agricultoras, os pais de Gideão, junto com o jovem, resolveram acabar com a plantação de cana em três hectares de terra da sua parcela. A ideia foi de fazer uma agrofloresta nessa área, onde plantaram pés de furtas, plantas nativas e lavouras anuais como feijão, milho e macaxeira. “Mas, não foi fácil. Aqui, muita gente chamava minha família de louca, porque a gente tinha acabado com a cana-de-açúcar para plantar fruta, milho, macaxeira e nativas tudo junto”, relembra. Uma decisão acertada A família de Gideão, hoje, percebe que tomou uma decisão acertada. O Sistema Agroflorestal está bem diversificado e gerando alimento para a família levar à mesa e comercializar. Já Gideão, tornou-se um jovem multiplicador de práticas agroecológicas e orienta diversas famílias no no assentamento Amaraji, com o apoio do Centro Sabiá, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Além disso, organizou um viveiro de mudas que tem uma variedade de plantas desde frutíferas a nativas. Como jovem multiplicador Gideão Patrício, vem atuando na divulgação da agrofloresta no assentamento Amaraji. Desde o início do ano que ele faz assessoria às família, colocando seus conhecimentos a serviço da comunidade e adquirindo outros conhecimentos com agricultores e agricultoras a região. Uma partilha que vem dando bons frutos. “Tinha agricultor que não acreditava na agrofloresta. Achava que era tudo conversa fiada. Mas agora, com as visitas que estou fazendo, o agricultor começou a acreditar que pode ganha dinheiro e alimentar a sua família sem destruir o meio ambiente”, diz Gideão. Uma semente que se plantou A produção de cana-de-açúcar no assentamento e na região ainda é muito grande. Mas Gideão e sua família acreditam na semente que plantaram, pois já têm frutos brotando. Na propriedade da família, o alimento é garantido e a geração de renda também, com a comercialização da produção. Em 2010 passaram também a criar abelhas, estão começando com duas colméias, que já produzem uma média de 15 litros. “Além da renda, as abelhas polinizam as flores, dando mais frutos, um exemplo é o caju”, enfatiza o jovem. O trabalho envolve todos e todas da casa, que vão desde os afazeres domésticos até a comercialização dos produtos entre vizinhos, e na Feira da Agricultura Familiar, em Rio Formoso. Embora as estradas para o acesso às feiras sejam precárias, a famílias persiste na comercialização, e utiliza animais para o transporte de produtos até o ponto em que os carros têm acesso. O trabalho com agrofloresta trouxe mudanças de comportamento e de vida para a família. A mesa hoje é farta e o sustento vem da terra conquistada. Para vencer dificuldades como o difícil acesso a crédito para quem trabalha com agrofloresta e o escoamento da produção, devido as más condições das estradas e a falta de transporte, a família de Gideão participam da Rede de Agroecologia da Mata Sul (Rama). Organizar-se em redes e articulações é uma das estratégias das famílias agricultoras para conquistarem direitos e benefícios par a agricultura familiar

Experiência
Jovem multiplicador de práticas agroecológicas: Na Zona da Mata de Pernambuco a agrofloresta muda a vida nos assentamentos.
Chamada
A experiência do Jovem Gideão e sua família no desenvolvimento de SAF´s e multiplicação de conhecimentos agroecológicos em Rio Formoso/Pe.
Ano de publicação
2011
Última atualização
17/04/2018
Autoras/es
Relator/a
Anexos
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