Mudando a paisagem e a vida na Zona da Mata

Os sistemas agroflorestais (SAF), na zona da mata sul de Pernambuco vem mudando a paisagem e a vida da família do senhor Ailton da Paz. Eles moram no Assentamento Amaraji Município de Rio Formoso que fica a 90 Km da capital Recife. O contexto sócio – econômico da zona da mata Pernambucana convive com as heranças históricas da ainda predominante monocultura da cana-de-açúcar, tendo como resultado um quadro de agravamento das desigualdades socioeconômicas, calcados em vários fatores, entre eles o corpos d'água contaminados, alta incidência de doenças, redução drásticas da cobertura vegetal original e da biodiversidade e com conseqüente situação de insegurança alimentar. É nesse contexto que o senhor Ailton e família vêm trabalhando com o apoio do Centro Sabiá para mudar esta realidade. “Quando ganhamos a terra pelo INCRA não sabíamos o que fazer com ela, fomos colocados na terra e pronto, parecia que tava tudo resolvido. Mas para manter a família tive que trabalhar para outros agricultores no corte de cana-de-açúcar” lembra seu Ailton. Em 2005, a família começou receber o apoio do Centro Sabiá através de reuniões, oficinas, cursos, mutirões e intercâmbios todos voltados para preservação, recuperação e produção de alimento. A desconfiança da família em querer participar destas atividades era um dos grandes empecilhos para a mudança na forma de trabalhar com agricultura, é o que afirma a esposa do senhor Ailton dona Maria da Guia “Eu sabia da importância de plantar arvores, porem não acreditava nesta historia de produzir alimentos em uma agrofloresta e que fosse suficiente para alimentar a minha família e muita menos comercializar os produtos excedentes da minha propriedade”. Muitas barreiras tiveram que ser superadas entre elas à da cultura do imediatismo, ou seja, não há planejamento do futuro só o que vale é o aqui e agora e assim não permitia que as famílias acreditassem que existe outra forma de se trabalhar com a agricultura é o que os intercâmbios realizados para as cidades de Bom Jardim, Abreu e lima e Triunfo mostrou para seu Ailton e família. “Na agricultura não pode existir pressa, o que temos que fazer é planejar e se organizar” é o que diz seu Ailton. A família acessou políticas para a agricultura apenas no período de implantação do assentamento, através dos custeios do Incra em 1997 e 1998. Depois disso não houve mais acesso a investimentos públicos. Mesmo assim, a família prosseguiu seus processos de melhoramento da área para produção agroecológica. Atualmente, além dos produtos para consumo, a família comercializa seus produtos semanalmente na Feira de produtos Agroecológicos de Sirinhaém, e na Feira Agroecológica de Rio Formoso. O acesso para transporte dos produtos até as feiras é bastante trabalhoso, os produtos são transportados a cavalo, em parte do trajeto, até a pista por onde circulam os carros que as famílias fretam para conseguir chegar às feiras. Viver do alimento produzido em sua propriedade e sem agredir o meio ambiente é um sonho que se realizou, as perspectivas para um mudança de vida foram superadas a diversidade de alimentos significa mesa farta e mais saúde para a família. Hoje podemos encontrar mais de 50 tipos de frutas e mais de 20 espécie arvores nativas, todas fazem parte do sistema agroflorestal da família que ocupa uma área de 3 ha dos 7 que tem a propriedade. “Só em ver o meu pai feliz trabalhando perto da gente, levando alimentos da sua propriedade para dentro de casa é motivo de felicidade para mim” é o que afirma Cleonice filha do casal Ailton e Maria da Guia. Alem da agrofloresta a família desenvolve outras atividades como criação de abelha uma atividade bastante lucrativa que se tornou mais uma fonte renda para família podemos ver isso nos investimentos realizados para o melhoramento do beneficiamento da produção freezer, liquidificador, panelas, fogão entre outros. As técnicas utilizadas para realizar o manejo também foram adquiridas através de cursos e intercâmbios. “O trabalho com abelhas italianas vem contribuindo com o aumenta da produção de frutas e nos oferecendo mel de qualidade e quantidade” é o que afirma Alceir Almeida Filho do casal. Os trabalhos desenvolvidos pela família estão bem consolidados porem seu Ailton reconhecer que ainda precisa avançar na perspectivas divulgação dos resultados de sua propriedade para que assim tenhamos influencia principalmente com os jovens agricultores e agricultoras para que eles possam ter condições de permanecerem no campo. “Porem o exemplo de trabalho com agricultura sustentável esta no quintal das casas destes jovens” afirma seu Ailton.

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